Ao marcar o aterrorizante 3º aniversário do genocídio contínuo e transmitido ao vivo por Israel contra nosso povo em Gaza, o movimento sindical palestino saúda o coletivo de sindicatos de sete países que representam trabalhadores e trabalhadoras portuários de 45 portos na Europa e no Mediterrâneo, que anunciaram uma jornada de greves e protestos contra a guerra e o genocídio em 30 de outubro. Convocamos todos os sindicatos que representam estivadores e estivadoras, trabalhadores e trabalhadoras portuários, e demais trabalhadores e trabalhadoras marítimos e do setor de transporte em todo o mundo a se juntarem e apoiarem essa mobilização.
Lembramos a todos os sindicatos do mundo, participem ou não das mobilizações de 30 de outubro, que também convocamos a organização de ações de solidariedade por ocasião do Dia Internacional de Solidariedade com o Povo Palestino, de 20 a 29 de novembro.
Neste próximo 30 de outubro, nós, os sindicatos e federações palestinos abaixo assinados, renovamos nosso chamado aos sindicatos de todo o mundo para:
- Defender e apoiar os direitos inalienáveis do povo indígena da Palestina, conforme estipulados pelo direito internacional, em particular o direito das pessoas refugiadas palestinas de retornar às suas casas e receber reparações, e
- Intensificar a pressão por meio do BDS para pôr fim a toda cumplicidade estatal, empresarial e institucional com a ocupação ilegal, o apartheid e o genocídio de Israel.
Nossa luta por justiça na Palestina é inseparável da luta global contra o racismo sistêmico, a militarização, a exploração, a devastação climática e todas as formas de opressão.
É dever dos sindicatos garantir que os trabalhadores e as trabalhadoras que representam — seja em portos, navios, empresas ou escritórios governamentais — não participem, muitas vezes sem seu conhecimento e/ou consentimento, de ações que impliquem cumplicidade com crimes atrozes em qualquer lugar, incluindo os crimes de guerra, os crimes contra a humanidade e o genocídio de Israel contra o povo indígena palestino.
As decisões de 2024 da Corte Internacional de Justiça (CIJ) — de que Israel está cometendo um genocídio de forma plausível, de que sua ocupação é ilegal e de que suas políticas constituem apartheid— fazem com que pôr fim a toda cumplicidade com os crimes de Israel não seja apenas uma obrigação moral, mas também legal. Os Estados, as instituições (incluindo os sindicatos) e as empresas devem impor sanções específicas e legais contra Israel.
Intensificando nossos esforços coletivos para pôr fim ao genocídio de Israel, nós, as organizações sindicais palestinas abaixo assinadas, convocamos os trabalhadores e as trabalhadoras, e os sindicatos portuários, marítimos e de transporte de todo o mundo a intensificarem seu apoio à nossa luta pela libertação, juntando-se à mobilização dos sindicatos de estivadores e estivadoras em 30 de outubro por meio de:
- Interromper e bloquear pacificamente o transporte de suprimentos militares, energéticos e de outro tipo de uso duplo para Israel, inclusive recusando-se a manusear esses suprimentos quando forem israelenses ou destinados a Israel.
- Apoiar as diretrizes sobre transferências marítimas do Comitê Nacional Palestino de BDS e utilizá-las para pressionar seus governos a cumpri-las.
- Pressionar seus governos a cumprirem suas obrigações jurídicas após as decisões da CIJ de 2024, conforme apontado por pessoas especialistas da ONU em direitos humanos, impondo, no mínimo, “um embargo total de armas a Israel, interrompendo todos os acordos, importações, exportações e transferências de armas, incluindo itens de uso duplo que poderiam ser utilizados contra a população palestina sob ocupação”, bem como cancelando ou suspendendo “as relações econômicas, os acordos comerciais e as relações acadêmicas com Israel que possam contribuir para sua presença ilegal e seu regime de apartheid no território palestino ocupado”.
Signatários:
- Federação Geral Palestina de Sindicatos (PGFTU, por sua sigla em inglês), Gaza
- Federação Palestina de Sindicatos (PFTU, por sua sigla em inglês)
- União Geral de Trabalhadores e Trabalhadoras Palestinos e Palestinas (GUPW, por sua sigla em inglês)
- Sindicato de Trabalhadores e Trabalhadoras dos Correios da Palestina - (PPSWU, por sua sigla em inglês)
- Federação de Sindicatos Independentes
- Nova Federação Palestina de Sindicatos
- Coalizão de Trabalhadores e Trabalhadoras de Comunicações e Correios - (CWU PS, por sua sigla em inglês)
- União Geral das Mulheres Palestinas
- União Geral de Professores Palestinos e Palestinas (GUPT, por sua sigla em inglês)
- Associação de Funcionários e Funcionárias do Setor Financeiro - Palestina
- Sindicato de Trabalhadores e Trabalhadoras dos Serviços de Saúde
- Sindicato de Trabalhadores e Trabalhadoras de Jardins de Infância e Escolas Particulares
- Sindicato de Trabalhadores e Trabalhadoras das Autoridades Locais
- Sindicato de Eletricistas Palestinos e Palestinas
- Sindicato de Funcionários e Funcionárias da Companhia de Eletricidade do Sul
- Associação Palestina de Pintores e Pintoras e Estucadores e Estucadoras
- Sindicato das Autoridades Locais do Sul