Acabar com o #GenocídioemGaza é uma questão feminista: apelo das mulheres palestinas

5 de novembro de 2023.

 

Historicamente, os movimentos de mulheres têm sido fundamentais para as lutas contra a opressão, a discriminação, o colonialismo e o militarismo. Nesse mesmo espírito, e em resposta ao genocídio contínuo de Israel em Gaza, nós, sindicatos de mulheres e movimentos de base que representam as mulheres palestinas na Palestina histórica e no exílio, conclamamos as mulheres e as organizações de mulheres de todo o mundo a erguerem suas vozes e a se levantarem, especialmente nos dias globais de ação em 11 e 12 de novembro, para apoiar nossa luta para acabar com esse genocídio.

 

Nossa demanda imediata é por um cessar-fogo, o levantamento do cerco e a entrada desimpedida de ajuda humanitária em Gaza. No entanto, para que isso aconteça, precisamos de uma pressão significativa para acabar com todos os laços militares e de segurança e com os acordos habituais com Israel. Pedimos que ações de rua sejam organizadas sempre que possível, que declarações de solidariedade e campanhas estratégicas e criativas sejam iniciadas para que se cortem todos os vínculos de cumplicidade estatal, corporativa e institucional com Israel, como foi feito contra o apartheid na África do Sul!

 

 Se não for agora, quando?

 

Desde 7 de outubro, o apartheid israelense já matou mais de 9.500 pessoas palestinas em Gaza, incluindo mais de 2.500 mulheres e quase 4.000 crianças. Israel está executando o que experts da ONU, 880 acadêmicos internacionais, incluindo especialistas em genocídio, um ex funcionário sênior da ONU e um número crescente de Estados descreveram como um genocídio em andamento contra os 2,3 milhões de palestinos na Faixa de Gaza ocupada e sitiada.

 

Nas últimas semanas, Israel, uma prisão a céu aberto há mais de 16 anos, bombardeou indiscriminadamente bairros civis inteiros, hospitais, escolas, igrejas e mesquitas; fez a limpeza étnica de 1,5 milhão de pessoas; e cortou o fornecimento de água, alimentos, combustível e remédios, transformando Gaza no que um ex-funcionário da ONU chama de "o maior campo de extermínio a céu aberto do mundo".

 

Se não for agora, quando?

 

No mesmo período, as forças de ocupação militar israelenses e os colonos armados fascistas intensificaram seus pogroms; deslocamentos forçados; assassinatos intencionais; sequestros aleatórios e tortura de pessoas palestinas trabalhadoras, agricultoras e jovens; prisões e repressão extrema na Cisjordânia ocupada, incluindo Jerusalém Oriental.

 

Contextualizando o genocídio em curso no regime de 75 anos de colonialismo e apartheid de colonos de Israel, Craig Mokhiber, funcionário sênior da ONU, escreveu antes de se demitir: "O projeto colonial europeu, etno-nacionalista e de colonos na Palestina entrou em sua fase final, rumo à destruição acelerada dos últimos remanescentes da vida indígena palestina na Palestina".

 

Enquanto isso, o establishment colonial ocidental antipalestino, em conjunto com sua mídia profundamente racista e desumanizadora, continua a armar, financiar e proteger Israel da responsabilização, possibilitando assim seu genocídio contínuo. Vários países do Sul global continuam a comprar armas, spyware e treinamento militar de Israel, alimentando assim seus cofres genocidas.

 

As mulheres palestinas lutam há décadas contra a interseção das opressões nacionais, sociais e econômicas, denunciando o núcleo patriarcal inerente ao regime de opressão de Israel.

 

Fazemos um apelo para que se intensifiquem as campanhas de pressão do BDS contra o apartheid israelense e, simultaneamente, pressionem seus governos a:

 

- Impor um cessar-fogo imediato e garantir a entrega desimpedida de ajuda vital a Gaza.

- Rejeitar qualquer transferência forçada de população.

- Garantir a proteção da ONU para pessoas palestinas presas sob o cerco israelense em Gaza

- Impor um embargo militar e de segurança abrangente a Israel e outras sanções para acabar com sua própria cumplicidade.

- Exigir que o TPI investigue os crimes de guerra e os crimes contra a humanidade, inclusive o crime de genocídio e apartheid, perpetrados por Israel.

 

Este momento é o teste decisivo não apenas para o direito internacional e a estrutura global de direitos humanos, mas também para a humanidade e o próprio significado de justiça e liberdade.

 

Se não for agora, quando?

 

Assinam:

 

General Union for Palestinian Woman “GUPW”

Palestinian Federation of Women Action Committees 

Union of Palestinian Women's Committees “UPWC”

Mothers - school society

Women's collection for justice and equality “ERADA”

Women Struggle Block

Al- Najdeh Social Association for Palestinian Women's Development

Women's Campaign for Boycotting Israeli Goods

Roles for Social Change Association “ADWAR”

The Palestinian Initiative for the Promotion of Global Dialogue and Democracy MIFTAH

جمعية العمل النسوي Association of Women’s Actions

Al- Najdeh Social Association for Palestinian Women's Development, Gaza

Declaração BNC

Declaração contra a aprovação dos acordos de cooperação com o regime de apartheid de Israel

October 26, 2023

Palestina ocupada, 24 de Outubro de 2023.

 

O Comitê Nacional Palestino do Movimento Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS), a maior rede da sociedade civil palestina, está profundamente chocado com o fato de a Câmara dos Deputados do Brasil ter aprovado na quarta-feira passada os restantes 2 dos 4 acordos de cooperação com o regime de apartheid de Israel, que o ex-presidente Jair Bolsonaro assinou durante o seu mandato. Particularmente vergonhoso é o fato de que dois destes acordos dizem respeito à cooperação militar e para segurança pública.

 

Esta votação ocorreu apenas um dia depois de Israel ter bombardeado o Hospital Baptista Al-Ahli em Gaza, matando centenas de pessoas, como parte do seu ataque genocida a Gaza. Mais de 5000 pessoas palestinas, mais de um terço delas crianças, já foram mortas pelos bombardeios indiscriminados, enquanto Israel impôs um cerco completo a população de Gaza de 2,3 milhões, proibindo a entrada de água, alimentos, remédios e eletricidade, causando assim condições de fome e desidratação grave. Esta é uma demonstração de cumplicidade flagrante por parte das instituições estatais do Brasil naquilo que especialistas em direito internacional descrevem como um genocídio israelense em curso contra o povo palestino. 

 

Muitas pessoas no Brasil, especialmente a comunidade negra, sabem que estes acordos militares, de cooperação para tecnologia, armamentos e treinamento apenas irão exacerbar a matança na Palestina mas também no Brasil. Nos últimos 10 dias, armas israelenses foram usadas em 6 operações militares que fecharam todas as escolas, resultaram em violações de domicílios e mataram 3 pessoas na favela Maré, no Rio de Janeiro.

 

Apelamos ao povo brasileiro para que se oponha a esta cooperação criminosa e construa uma solidariedade eficaz para defender as pessoas no Brasil da exportação por Israel de ferramentas de repressão do apartheid que são usadas para subjugar o povo palestino indígena. 

 

Este é o momento para o governo do Brasil assumir responsabilidade, revogar estes acordos vergonhosos, pedir um cessar-fogo imediato, acesso imediato de ajuda a Gaza, para ajudar a acabar com a guerra genocida de Israel e o crime de apartheid que perpetua. O Brasil deveria se juntar à maior parte do mundo no apelo à responsabilização daqueles que cometem crimes contra a humanidade e contra o povo palestino e daqueles que os permitem. É o momento de retirar a assinatura presidencial dos acordos de cooperação, como primeiro passo para um embargo militar contra Israel, tal como foi imposto ao apartheid na África do Sul.

 

Se não agora, então quando?

October 26, 2023
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